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Burle Marx ou “A pressa passa, a merda fica”.

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Aterro do Flamengo. Burle Marx plantou umas margaridas lá.

Tem rolado um movimento interessante lá na agência. A cada 15 dias, mais ou menos, recebemos a visita de um convidado para falar sobre um tema que não tenha muito a ver com o nosso dia-a-dia, ou pelo menos nada a ver com nenhum job em andamento. É uma forma de se desconectar por algumas horas e abrir a cabeça para informações que normalmente não tomaríamos conhecimento.


Já tivemos uma pesquisadora da FGV, o autor do livro sobre o profeta Gentileza, batemos um papo sobre a história da mídia com o diretor do Grupo de Mídia do Rio de Janeiro e, mais recentemente, recebemos a visita do arquiteto Ivo Mairenes, que além de desenvolver um trabalho diferenciado teve o privilégio ser parceiro de Roberto Burle Marx, um paisagista com uma vida tão rica em histórias interessantes quanto em amor pelas plantas e pela arte. E logo descobrimos que essas histórias têm muito mais a ver com nosso ofício do que se poderia imaginar.


O próprio trabalho do Ivo já valeria algumas horas de papo, e é daí que veio a primeira sacada. Segundo o arquiteto, as empresas que não adotarem postura autossustentável não vão sobreviver. Ok, analistas de mercado, ambientalistas e afins dizem isso toda hora, mas a afirmação de Ivo é fruto de sua experiência com clientes que constroem casas de mais de R$ 2 milhões. Se esse público, que dita as tendências de consumo, não compra mais madeira que não seja de reflorestamento, fica claro que as empresas precisam correr para adaptar sua postura e sua comunicação a essa nova realidade.


Mas o melhor foram mesmo as histórias sobre o genial Burle Marx e também sobre o rabugento, boêmio e acolhedor Roberto.

Roberto Burle Marx era um homem que vivia a arte em todos os momentos, valorizando a expressividade de um amanhecer ou de um sabor exótico por exemplo. Seus jardins eram influenciados por nomes como Van Gogh e Degas. Décadas antes da Internet, ele trazia da Europa livros sobre a obra desses artistas e presenteava sua equipe para que eles se comparassem com os grandes mestres, em vez de cair na tentação fácil de se comparar ao “jardim ali da esquina”. Certa vez, ao próprio Ivo Mairenes, em dúvida sobre a originalidade de um trabalho, Burle Marx disse o seguinte: ”Influências, todos temos pelo simples fato de que estamos vivos. Seu projeto pode ter sido influenciado pelo trabalho de outro, o que não pode acontecer é ficar parecido com o seu próprio trabalho. A morte de um artista acontece quando ele se torna cópia de si mesmo”.


Essas e outras histórias passaram por nós em duas horas de papo que poderiam facilmente ter se estendido por uns 10 ou 11 chopes. Fui apresentado ao Burle Marx, um mestre que deixou um patrimônio riquíssimo para a sociedade e outro maior ainda para quem conviveu com ele.


De volta à correria dos prazos, briefings, brainstorms, deadlines nossos de cada dia, procuro lembrar da analogia mais perfeita entre nosso trabalho e o de Burle Marx. Uma frase escrita em uma placa que o paisagista conservou durante muito tempo sobre sua mesa, que dizia “A pressa passa, a merda fica”.


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