Arquivo para março \26\UTC 2009

Anarquia Ortográfica

Fiz um comentário no Twitter sobre minha ignorância em relação aos hífens e teve gente que me puxou a orelha. São amigos, beleza. Mas aposto que teve mais gente pensando “Redator de mierda esse”. Caguei.

Pra mim o Redator é um cara de ideias. Tem que se preocupar primeiro em ter ideias novas, boas e consistentes, depois em passar essas ideias com clareza, comunicar, no seu significado mais rico e só no final analisar se o Aurélio e o Houaiss vão gostar. Se alguém lê meus textos antes de uma revisão, se assusta com a quantidade de letras, acentos e hífens comidos (afinal a cabeça é mais rápida que as mãos e o foco está na ideia), mas, na boa, ninguém vai deixar de entender se o hífen estiver errado em palavra nenhuma.

Enquanto a gente discute o poder do hífen, os títulos toscos continuam por aí. O mesmo cara que aprova “No nosso aniversário, quem ganha o presente é você!” vai pedir sua cabeça se você inventar um hífen no contra(-)filé da promoção. O cliente que pede “O patrão ficou maluco!” vai questionar sobre a forma como você escreveu “superdesconto”. Aliás, se escreve junto ou separado? Tanto faz, o preço é o mesmo. 

splash1

Deviam era acabar com as regras e declarar que o importante é comunicar. Se fosse assim, todos os hífens e uma penca de acentos iriam desaparecer.

O hifen dá um novo sabor à sua couve-flor? Na minha eu dispenso o hífen e ponho bastante azeite. Sua família não vai te deserdar se você esquecer o acento dela, mas vai botar no seu assento se você chegar atrasado para o almoço porque estava estudando a reforma ortográfica. E pra terminar, como diria meu amigo Bino, o filósofo da boleia: “Não quero saber se o guarda-chuva tem hífen, eu quero é ficar seco”.

Nota aleatória: Fora de contexto, escrever “comofas” e “corrão”, duas modinhas de blogueiro cool, não é Anarquia, é bizarrice mesmo.

 

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Frase Do Dia

Sempre uma frase que vale mais que um efêmero Twit:

 

“Eu não entendo nada de processo criativo, só escrevo”.

João Ubaldo Ribeiro, na ótima crônica “Mas não no Sul”, reeditada em “O Rei da Noite”, Ed Objetiva, 2008.

 

Você vai saber que é um redator bem sucedido quando tiver moral pra falar isso sem ser mandado embora.

 

P.S. Tem estado difícil atualizar o Blog, mas tenho fé que jobs melhores virão e eu ainda vou conseguir sair cedo do trabalho.

Propaganda de Oportunidade ou Vem pra a TV você também, vem.

Como falei no Twitter, sabe como uma típica família brasileira faz para pagar as contas? Deixando de ser uma típica família brasileira. É isso o que está acontecendo com a família Amorim.

Pra quem não sabe, a família Amorim protagonizou um quadro, exibido durante alguns finais de semana no Fantástico,  no qual a adolescente consumista da família assumiu a responsabilidade sobre todo o pouco dinheiro e as compras da casa, e se saiu bem. Parece que quatro ou cinco aparições na Globo são suficientes para inventar a família Osbourne brasileira, e agora eles assumem oficialmente a posição de celebridades protagonizando o comercial da Caixa (ok, exagerei um pouco).

amorim

Irônico, mas acima de tudo os personagens têm tudo a ver com caderneta de poupança, o que faz da estratégia uma bela sacada da Fisher América, que percebeu a oportunidade. E você? Teria essa sacada ou é daqueles que só assistem TV a cabo e o último ep de Lost baixado da Internet?

Quer saber? Eu já superei aquele velho papo de que a vinheta do Fantástico lembra a segunda-feira. Eu me amarro no Fantástico. #prontofalei.


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